julho 15, 2004

Excessos

Abri os olhos devagar, sabendo que a luz iria ferir as minhas pupilas fragilizadas pelos excessos da noite anterior. Estremunhado, apercebi-me de que o mundo teimava em continuar desfocado e a andar à roda. "Foda-se..." foi a única palavra que os meus lábios conseguiram articular.

Senti o estremecer de um corpo quente ao meu lado. Assustado, calei-me e encolhi-me. O que é que se estava a passar? Tentei descortinar uma resposta por entre a névoa dolorosa que me preenchia a mente, mas cada neurónio soltava um grito sofredor antes de fazer ao próximo a pergunta para a qual eu exigia uma resposta. Desisti, e resolvi tentar focar algo com estes olhos que se escondiam, envergonhados, atrás de umas olheiras efermas.

Assim que as suas curvas se revelaram perante mim, senti-me simultaneamente confuso, perturbado, satisfeito e entristecido. O meu lado masculino rejubilava. O meu lado racional cobria a cara de vergonha.
Quando ela abriu os olhos, sorriu docemente. E eu senti que o mundo fugia debaixo do meu corpo.
Cristóvão

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Huile sur toile, Janine PASCAL.